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CEM ANOS DO SAMBA

February 8, 2016

AGORA É SAMBA

              O samba é uma instituição nacional a ponto de Dorival Caymmi ter decretado: “Quem não gosta de samba bom sujeito não é”. Há aqueles que comemoram em 2016 0 centenário de nascimento dessa paixão brasileira, mas se alguém deseja festejá-lo em 2017 não há problema porque até hoje, não se sabe ao certo quando ele surgiu.

             Com o samba se repetiu o que dera com os fatos à época da recém-proclamada República: em meio a uma bateria de imprecisões e mitificações, muita lenda virou “verdade”, muita verdade virou “lenda”. O certo é que o samba não guarda uma data cravada de nascimento, e não há ritmo definido para a primeira música nomeada com tal designação para se saber se ela é mesmo um samba. Maxixe? Talvez. Samba-tango? É difícil. Tango amaxixado? Pode ser.

             Vale lembrar que tão surpreendente quanto a Proclamação da república (“quartelada, sem povo”, na análise de Aristides Lobo) era todo o seu entorno social no início do século passado. Assim registraram Zuza Homem de Mello e Jairo Severiano em “A canção no tempo”; Primeira composição classificada como samba a alcançar sucesso (...)  tudo é discussão: a autoria, a afirmação de que foi o primeiro samba gravado e até sua designação como samba (...)”.

 

HISTÓRIA DOS CEM ANOS DO SAMBA

            Note-se que os autores dizem que foi a primeira composição com esse ritmo a “alcançar sucesso”, ou seja, outras existiram que não se tornaram populares – é o caso, por exemplo, de “Urubu malandro”, gravado em 1914 como samba (disco Phoenix, número 70589).

             Era no Rio de Janeiro, numa ampla casa da rua Visconde de Itaúna, que malandro, trabalhador e batuqueiro se reuniam naquele despertar da República, para jogar capoeira, cantar, compor e beber – e ninguém mais animada que a anfitriã, a baiana Tia Ciata. A moçada ia repetindo um refrão e em torno dele improvisavam-se letras, algumas delas desconexas (“o peru me disse/ se o morcego visse/ não fazer tolice”), encaixadas à força em trechos de composições sertanejas, (gênero que migrara para o meio urbano).

               Dessa forma teria nascido a canção que Tia Ciata chamava de “Roceiro”: “O chefe da folia pelo telefone mandou me avisar/ que na Carioca tem uma roleta para se jogar(...)”. Um dos bambas da roda, Ernesto dos Santos, apelidado Donga, registrou a música na Biblioteca Nacional, sob o rótulo de samba e com o nome de “Pelo Telefone”, em novembro de 1916. (“A construção do samba”, Jorge Caldeira). Está aí o atestado de que os cem anos do samba podem ser agora, em 2016.

 

PELO TELEFONE. O PRIMEIRO SAMBA              

             Ocorre, porém, que em fevereiro de 19917, o cantor Bahiano colocou em disco letra e música de “Pelo Telefone”. Aí sim passou a ser cantada por toda Rio de Janeiro, e isso fundamenta aqueles que querem a comemoração do centenário no ano que vem. É interessante notar que nessa gravação a letra fala “o chefe da folia pelo telefone mandou me avisar, que na Carioca tem uma roleta para se jogar”. Foi a partir do sucesso que se trocou “o chefe da folia” por “o chefe da polícia”, e parte da intelectualidade da esquerda ideologizou que o ritmo nascera denunciando a corrupção policial. Bobagem.

                O samba, em geral, no andamento do século, oscilou entre adular e criticar o establishment. O cantor e compositor Almirante desmistifica a questão em “No tempo de Noel Rosa”: não existia roleta no Largo da Carioca, quem a instalou foi o jornal “A Noite”, numa campanha auto promocional.  E, aparentemente, tudo estaria combinado com o delegado Aurelino Leal, que, assim, aproveitou-se de seu despacho contra a jogatina nos  morros e assegurou a sua presença na história do primeiro (primeiro?) samba (samba?) gravado no Brasil.

           Eu integro o grupo de boa gente do Caymmi e me orgulho de ter samba hereditário no sangue, independentemente da data de seu aniversário.. E concordo com Noel em “Feitio de Oração”: “Quem suportar uma paixão/ sentirá que o samba então/ nasce do coração.

Antonio Carlos Prado – Editor executivo da revista Isto É.

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