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TEMPO E ETERNIDADE

            Em um de seus livros, o escritor espanhol Jesus Urteaga apresenta um prefácio surpreendente: “Estas páginas foram escritas aos empurrões, aos gritos, com as tintas do coração. Leia-as depressa, como estão redigidas. Não há tempo a perder. Existem tantas coisas a realizar. O mundo apressa-nos, porque ameaça a ruína”.

            Os autores costumam sugerir exatamente o contrário: reflexão pausada, leitura vagarosa. E Urteaga nos deixa perplexos, recomendando velocidade, passo apressado, ler com urgência. Se houvesse fábricas, industrias farmacêuticas, supermercados que vendessem tempo, faturariam altíssimo, terminando milionários. As lanchonetes McDonald’s, símbolo do nosso século vertiginoso, alteiam-se em toda parte, oferecendo comida rápida, fast food. Quem almoça ou janta devagar, desperdiça tempo, dinheiro, oportunidades. A sociedade de consumo nos manda correr, engolir tudo com sofreguidão, para ganhar minutos e não perder o trem da história, dos fatos, das coisas.

            Ainda ontem, vi um lembrete sobre a mesa de trabalho, no escritório de um diretor de televisão: “Não me importune, por favor. Sou um homem sem tempo.” Encontrar o ritmo, acertar o passo, definir o instante e dosar a cadência da carruagem-vida, é uma das artes mais difíceis na rotina do cotidiano. Pressa e vagar, urgência e lentidão têm sua hora, seu momento exato, ideal. Ora, devemos agir, caminhar depressa, decidir com rapidez. Em outras oportunidades, a calma e a prudência reflexiva se fazem essenciais.

            Os grandes homens e as mulheres extraordinárias executam três ou quatro tarefas, sem maiores problemas, em prazos curtos. São rápidos, porque são organizados. São eficientes, porque protegem e administram seu tempo com sabedoria. Rendem no serviço, porque se entregam inteiramente no respectivo trabalho. Feito com amor, o dever pesa menos. Em mala bem arrumada sempre cabe mais!

            Ultrapassando a casa das superficialidades, cresce a constatação milenar: a parte melhor das pessoas está sempre em seu íntimo, lá dentro, no interior, na raiz ultima do ser, onde as fontes da vida plena brotam, onde somos únicos, irrepetidos, originais. Onde Deus nos fala com mais clareza, amor e misericórdia. Ora suave como a brisa, ora impetuoso como o vento e Pentecostes.

            Senhor, o tempo é infinito em tuas mãos. E minha vida é curta e frágil demais para ser desperdiçada ingloriamente. Que meus ofertórios, na liturgia diária, tenham sempre alguma oferenda, braçadas de esperança e muito amor. Como os ofertórios de Maria Santíssima, que guardava tudo no silêncio seu coração profundo, dócil, orante, maternal. Ensina-me, Senhor, os momentos exatos do trabalho e do descanso, da prece e do gesto concreto. A hora de pescar e a hora de secar as redes.

            A coragem para agir, atuar. E a conformidade para aceitar o que não posso mudar. Que eu tenha a rapidez da ação, quando as circunstancias o perdem. E a paciência dos frutos que sabem esperar, na vigília da maturação. Que minha Páscoa seja perene e atual, no tempo que passa, prefácio da eternidade.

Pe. Roque Schneider, S J.

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