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O PREÇO DA CADEIRA VAZIA

April 16, 2016

O FUTEBOL DO BRASIL SE MOSTRA COMO POUCO  VENDÁVEL

            Vinte e dois jogadores em campo e generosos espaços nas arquibancadas. O cenário é quase regra. Não há, em curso, qualquer competição de clubes brasileiros que ocupe mais de 30% dos estádios. Em outras palavras, ao menos 70% dos ingressos para os torneios do país, nestes primeiros dois meses de temporada, encalharam. Há prejuízo financeiro? Sim, mas ele não se compara ao dano institucional.

            Difícil encontrar uma questão mais urgente com que deva lidar o futebol brasileiro. Estádios vazios têm muito mais a ver com a forma como o futebol do país pretende ser reconhecido do que com a mera arrecadação de bilheteria. É questão de selo de identidade, de posicionamento, de produzir um ambiente de paixão que conquiste torcedores num mercado sob ataque dos espetáculos de primazia técnica dos torneios europeus. O mundo global leva os melhores jogadores daqui. A ordem internacional do jogo mostra que, dificilmente será pela qualidade técnica que o futebol doméstico do Brasil se mostrará como produto vendável.

            A este lado do mundo, à periferia, restou à paixão, a capacidade de produzir festa e ambiente.  Eis o que podemos vender. Os Estaduais, com sua duração que contraria o bom senso, não ajudam a estatística.. Mas não são sozinhos, os responsáveis. Os torneios regionais, saudados como sopro de esperança para reformar o calendário, ainda não foge à regra. A Copa do Nordeste só ocupa, em média, 12 % das arquibancadas. A Primeira Liga, 29%, segundo números do “Globoesporte.com”. O dito país do futebol não consegue levar gente aos campos. A estrutura do calendário reforça o hábito.

            Os quatro meses iniciais do ano, com estaduais inchados e, agora, com torneios regionais paridos a fórceps numa louca sequencia de jogos, ajudam a tirar o futebol da agenda. Ao menos o futebol vivido de dentro do estádio. A rotina é não ir.  O hábito, no Brasil, é ser seletivo: exige-se motivo forte para ir ao campo. De preferência, uma onda de vitória ou jogo decisivo, o que ainda não é o caso, nesta fase do ano. Resta o ineditismo. Foi o que fez o Vasco, Fluminense e Botafogo encherem um estádio em Vitória. Foi o caso dos Flas x Flus no Pacaembú e em Brasília. A capital federal é exemplo clássico: as primeiras apresentações do Flamengo geraram números estratosféricos. Passada a novidade, permanece o padrão nacional: escolher o jogo.

          O que explica as casas cheias na Libertadores, que enche 78% dos estádios. As ultimas décadas reforçam a tendência, talvez pela exportação desenfreada. A perda do ídolo, toca fundo num país em que a camisa em campo não basta como atração. Mas o drama não é novo. Em 2015 o Campeonato Brasileiro celebrou ao atingir 40% de ocupação de estádios. É muito pouco. Em 2007, um estudo do Golden Goal, com dados de todos os jogos do torneio desde 1971, mostrava que a média era de 31%. Os clubes sempre patinaram ao tentar criar fidelidade. Hoje, Corinthians e Palmeiras, com seus planos de sócios-torcedores, são casos isolados de sucesso.

           Historicamente, o futebol promoveu mal seus eventos, apostou na abnegação do torcedor. Como convencer o mundo que um futebol que perde jogadores aos milhares e é jogado diante de cadeiras vazias é um bom produto? Como cativar novos torcedores  num estádio deserto? Este preço se pagará no futuro. Um bom passo é promover espetáculos à brasileira. Menos cerimoniais de entrada em campo e mais paixão. Investir em gente, em jogo. Bem vindas por trazerem conforto, as novas e caras arenas trouxeram um efeito colateral. Cobra-se mais caro por um produto que encalha. Uma legião de apaixonados perdeu a vez. O produto final é o lugar vazio. Que custa muito caro.

Carlos Eduardo Mansur

 

VENCEDORES E TRANSFORMADORES

A HISTÓRIA TEM PÁGINAS RESERVADAS AOS VITORIOSOS.

          “Vencer é por um dia. Reputação é para a vida toda”. Ter seu próprio estilo, ter pessoas que o copiam, que o admiram: este é o maior presente”. O autor é Cruyff, um daqueles personagens nascidos para ensinar que há duas formas de vencer no futebol: ganhando jogos e títulos ou deixando um legado transformador. A história tem paginas reservadas aos vitoriosos. E um pedestal aos transformadores do jogo. Aos fundamentalistas do estilo, da filosofia, do sentido claro que seus times jogam para serem protagonistas de uma partida. Nunca para especularem.

          Para ser um deles, não basta talento ou conhecimento. É necessária a ousadia, a crença inegociável de que o como ganhar importa tanto quanto ganhar. Gente como Cruyff e Guardiola, o mais devotado de seus discípulos. Gente como Telê, como Bielsa. São os influentes, os instauradores de novos padrões, obsessivos pela forma, pela noção de que o futebol para o desfrute do público. Não vencerão sempre, mas morrerão fieis às idéias. Dão graça e face a um jogo que, de tão complexo, acena com a tentação de ser convencional.

Carlos Eduardo Mansur – Carlos.mansur@oglobo.com.br

 

 

 

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