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POEMA PARA FIGUEIRA

October 29, 2016

 

POEMA PARA FIGUEIRA (número III)

A figueira altaneira, que aqui em Cachoeira é nome de praça,

Símbolo de um povo, escudo de nossa gente,

Como uma criança levada, teima, faz pirraça

E como adulta, diz, já um tanto sem graça:

Vou começar de novo. O mundo ferido fere.

"O homem descrente ataca como um lobo.

Outra vez tentaram me abater,

Mas podem contar comigo,

Sempre vale a pena ter amanhecido.

Fixei aqui minhas raízes, tenho me debatido,

E aconteça o que acontecer, não posso fenecer,

Ainda me mantenho de pé e, quero sobreviver!”

 

Ela, que venceu as intempéries,

Numa tarde de domingo perdeu todas as folhas,

Desprenderam-se uma a uma e caíram em série.

“Não sou mais uma menina, também não sou anciã,

Muitos dobraram essa esquina, (ontem)

E será sempre assim, hoje e amanhã.

Estou na idade adulta, sou árvore, simplesmente,

Muitas de minhas irmãs resistem incontinentes.

Tenho mais de cinqüenta, minha sombra não oculta.

Posso dizer que sou culta, que sei ouvir, que sou crente.

Que era feliz e contente.

E sendo de uma Cachoeira Alegre, sou até mesmo sorridente.

Às vezes um pouco cansada, coisas que com a idade se sente.”

 

“Aos meus pés vieram políticos, pastores, padres, poetas,

Cancioneiros populares, palhaços, doutores e atletas.

Ouvi músicas, poesias, oração canto e louvores,

Dos casais de namorados ouvia as juras de amores.

Fui altar de Santas Missas, palco de rezas, festanças.

Parto de uma premissa; de que poesia e música me faz rejuvenescer

E me mantêm de pé.

Queria ainda muito viver, mas estão a matar-me também a fé.

Fernando M. Ribeiro

 

POEMA PARA CACHOEIRA (número IV)

A árvore indefesa, vestiu-se de tristeza.

Vestiu-se de luto. Perdeu sua folhagem, seus frutos.

Nossa árvore está totalmente despida.

Secos, troncos e galhos, sem folhas,

Sem vida, não tivestes escolha.

Estará breve o dia do “juízo final”?

Com o ranger dos dentes da moto-serra

Qual será seu destino, afinal?

A morte anunciada uma vida encerra.

Levaram sua veste de folhas verdes,

Meus olhos choram e a garganta tem sede.

Cortaram a árvore de minha mocidade,

Dissecaram seu corpo sem piedade.

Não assisti ao cortejo.

Uma vida tornou-se lenha que, fará fogo que aquece,

Se quiseres vir, venha e faça sua prece.

Apenas seu seco tronco

E eu com o pesadelo dos roncos da moto-serra,

Que fará cair por terra

Uma vida de entrega e de glórias.

Tombará já sem vida, na praça, a figueira e sua história.

Eu sei que a dor não se aplaca,

Mas, mandem, pois cunhar uma placa:

“O homem retribui com o machado, à árvore guerreira  E permanecemos, todos calados.

Um marco do que o homem é capaz, do que o ser humano faz:

Aqui jaz ... nossa figueira!”

 

Fernando M. Ribeiro.

 

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