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DESEJO E AMOR

January 16, 2017

DESEJO E AMOR

O DESEJO É A SEDE DA ALMA (Santo Agostinho)

       Os desejos estão sempre presentes em nós. O ser humano é um ser pleno de desejos, projetos, propósitos. Antes de tudo o desejo assinala uma ausência, algo que não possuímos, algo que não existe ainda na nossa vida. Cada ação humana busca alcançar “algo”. Santo Agostinho definia o desejo como a sede da alma. O desejo é um drama em nossa vida. Para compreender a dramaticidade do desejo é necessária a seguinte pergunta: O que está na raiz do agir humano? Isto significa entrar na realidade dos nossos desejos não como meros observadores, mas inserido-se no fluir dos próprios desejos que move a construção das nossas ações e compreender como é possível encontrar a verdade contida nos desejos, isto é, segundo o dinamismo da própria ação no qual se manifesta.

     Diz M. Blondel: “Freqüentemente os nossos desejos nos escondem nossos verdadeiros desejos”. Em outras palavras, no fundo não sabemos que coisa desejamos. E aquilo que desejamos essencialmente para a nossa vida, se torna pouco em relação à abertura de fundo do nosso verdadeiro desejo. O homem deseja sempre mais daquilo que ele crer desejar. A abertura do desejo humano é maior que a consciência que ele tem daquilo que deseja. Existe uma desproporção entre a vontade que deseja e o objeto determinante da vontade. Isto move nossa ação a querer sempre algo mais.

 

DESEJO: UM MISTÉRIO QUE ENVOLVE TODA NOSSA EXISTÊNCIA

       O Papa Bento XVI, diz que o desejo representa um mistério: “de fato, nem sequer a pessoa amada é capaz de saciar o desejo que se aninha no coração humano, aliás, quanto mais autêntico é o amor para o outro, tanto mais ele deixa abrir a interrogação acerca da sua origem do seu destino, acerca da possibilidade que ele tem de durar para sempre... Cada desejo que se apresenta ao coração humano faz-se eco de um desejo fundamental que nunca é plenamente saciado”. Este mistério envolve toda nossa existência.

     Na realidade o desejo é como o motor das nossas ações. O desejo está sempre presente nas nossas ações. O contrário é a preguiça, que leva-nos a paralisia das nossas ações ou ainda, a perda do gosto de viver. Se deixarmos de desejar se perde o movimento dinâmico da ação humano. Por exemplo, quando uma relação com uma pessoa esfria, a ação morre, isto é, não me movo na direção do outro, me fecho em mim mesmo e deixo de construir o bem. “Esta polaridade do desejo, a uma abertura a um infinito e a sua origem na existência limitada de outra, não é um elemento reduzido, mas uma característica intrínseca ao próprio desejo”. E mais, o desejo possui em si uma racionalidade, pois está ligado com a vontade, como caminho de descoberta da verdade do homem que

deseja conhecer.

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