Editor: Fernando Mauro Ribeiro - portalnovotempo.com - © 2017 PORTAL NOVO TEMPO CACHOEIRA ALEGRE/MG.

  • Facebook - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • Google+ - Black Circle
Please reload

Posts Recentes

       Quando a Palavra toca o coração das pessoas, elas compreendem melhor o amor de Deus por elas. Quando tomados pela misericórdia divina...

CELEBRAMOS NESSE DIA 04, OS 24 ANOS DE IDEALIZAÇÃO DA FUNDAÇÃO

September 4, 2019

1/1
Please reload

Posts Em Destaque

DIA NACIONAL DOS DIREITOS DO CONSUMIDOR

O BRASILEIRO É QUASE UM ESTRANGEIRO EM SUA PRÓPRIA TERRA

          “Palavras inglesas viram moda no Brasil, onde nem o português as pessoas conseguem falar direito”.

João da Silva teve um dia estressante. Enfrentou um rush danado e chegou atrasado ao meeting com o sales manager da empresa onde trabalha. Antes do Workshop com o expert em top marketing, foi servido um brunch, mas a comida era muito light para sua fome.

 

          Para o fictício João da Silva, assim como para muitos brasileiros, a língua portuguesa já não basta para escrever ou compreender o cotidiano. Cercado por anúncios de TV em inglês, músicas em inglês no rádio. Cartazes (outdoors) em inglês nas ruas, expressões inglesas no trabalho, pratos em inglês nos cardápios, o brasileiro é quase um

estrangeiro em sua própria terra.

 

 

            “Yeeeeeeeeees” Na atual edição do Dicionário Aurélio, contam-se 1.116 estrangeirismos, 373 deles anglicismos, ou seja, palavras importadas da língua inglesa (esse número dá conta apenas das palavras que entram em sua forma original, como kniw-how, por exemplo, mas não inclui palavras aportuguesadas como leiaute, de layout).

 

            Em todo o país, não para de aumentar a procura nas escolas que ensinam inglês desde o jardim-de-infância. Em algumas áreas, o domínio do inglês é ferramenta de trabalho. Nos negócios, por exemplo, um executivo não é ninguém se não domina o jargão, que é tudo em inglês.

 

            Nenhum pai precisa ficar especialmente inquieto quando vê seu filho cerrar os punhos e gritar numa hora de alegria: “Yeeeeeeeeeeeeeeeeeeeees”. Essa expressão da língua inglesa é um fenômeno muito conhecido; quanto maior o poder econômico de um país, maior a sua expressão lingüística. O latim tornou-se base da maioria das línguas européias porque era falado pela grande potência da época, o Império Romano. Num período em que os Estados Unidos se firma como a potência número 1 do planeta, é natural que seu idioma adquira essa força, não apenas no Brasil, mas tanto nos países ricos da Europa como nos países da África.

 

           

PERDEMOS O TUPI GUARANI. SERÁ QUE VAMOS ESQUECER TAMBÉM A LÍNGUA PORTUGUESA?

No Brasil, as palavras que vem da tecnologia, da ciência ou da medicina, como Aids, e geral são assimiladas antes de ganhar tradução. Por exemplo, software (programa), upgrade (expansão), e e-mail (correio eletrônico) “O inglês é a língua mãe do computador”.

            O Brasil, ao contrário de Portugal, importou sua língua materna. A maioria dos habitantes da colônia falava o tupi-guarani até o fim do século XVIII. Com a chegada da família real, em 1808, proibiu-se a língua indígena e o português tornou-se obrigatório. A experiência ensina que uma língua pode assim – suprimida, num país colonizado - mas não em função de estrangeirismos. Isso porque pesa a força econômica de cada língua, mas também a tradição cultural de cada país.

            Muito mais rico é examinar os valores e a memória que desembarcam no país junto com as palavras estrangeiras. Para identificá-los, um recurso é observar campanhas publicitárias.

           

           Os produtos, até os nacionais abusam em seus rótulos de “qualificativos como plus, light, vip, máster, diet, clean, dando a entender que também são para um público de maior poder aquisitivo.

           

            “O que vem junto com a língua é a cultura”, diz Eric Sabinsom. Mesmo numa área técnica como informática, é todo o universo americano que está refletido”. Existem exemplos curiosos: a Academia Francesa se incumbe de criar equivalentes para todos os termos ingleses que vem da informática, da medicina ou de outras áreas científicas. Assim, software virou logiciel.

            Na França, em 1995 foram criadas leis para barrar a invasão de palavras inglesas. A lei francesa proíbe o uso do inglês em documentos oficiais e anúncios públicos.

 

   NO BRASIL SE TEM A IMPRESSÃO DE QUE TUDO PODE        

         

         No Brasil, onde a Academia de Letras – ou qualquer outro órgão – não cumpre essa função, nem de longe se pensa em medidas desse tipo.

          Em outros países, não se baixam medidas drásticas, como na França, mas a preocupação com a preservação da língua é tão antiga que nem parece existir. Na Espanha e na Itália, por exemplo, tudo é traduzido. Os filmes não trazem legendas, são dublados – até E. T. , o herói interplanetário de Steven Spielberg, fala castelhano nos cinemas e vídeos espanhóis. O cardápio do McDonald’s também vem do idioma local.

           Na Espanha não existe nada mais ridículo que um sanduíche chamado McChicken, por exemplo. É McPolo, como se aqui chamássemos de Mcrango. NA Espanha o filme Green Card. que passou no Brasil com o mesmo título em inglês, foi traduzido para Matrimônio de Conveniência.

            A Indomada estava começando a ser vítima da própria mania que pretendia denunciar. “A novela é uma sátira, faz crítica social em Cima da mania que o brasileiro tem de usar palavras americanas. O brasileiro é deslumbrado com tudo o que vem de fora”.

           

LITERATURA E MÚSICA NO BRASIL

 

         Expressão Musical – Essa alternância da “língua da moda” reflete uma situação cultural desfavorável. “Seria preciso que o Brasil ganhasse prestígio no mundo para modificar essa situação”, analisa Dino Preti. Existe uma comparação útil entre a literatura e a música no Brasil. Em 1996, foram vendidos 72 milhões de cópias de discos de artistas brasileiros, contra 28 milhões de discos de conjuntos e cantores de outros países. O brasileiro continua valendo-se da música como maior expressão de sua identidade nacional.

            “O uso da língua hoje, seja o inglês ou o português, é indigente no Brasil. Os jornais são mal escritos, ouve-se no rádio um péssimo português”, completa o professor Roberto Teixeira Coelho, da Escola de Comunicações e Artes da USP, tocando naquele que é o ponto principal. É fácil constatar que se fala e se escreve mal o português. O vocábulo é reduzido e as construções gramaticais pobres.

            Com a invasão do inglês, pode-se juntar o português mal escrito e mal falado com o desconhecimento quase total da língua estrangeira que todos querem falar.

 

VOCABULÁRIO: (rush = pressa), (rush hour = hora de maior movimento), (meeting = encontro), (Sales manager =  gerente de vendas), (workshop = seminário), ( exper = perito, pessoa de grande conhecimento), ( top marketing = comercialização), ( brunch = refeição matinal reforçada), ( light = leve), layout = plano, esquema), (plus = mais), ( VIP = pessoa muito importante), ( master = mestre, patrão, proprietário), (diet = dietético), ( clean = limpo).

Trechos de uma reportagem publicada na revista Veja, de 09-04-1997.

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Siga
Please reload

Procurar por tags