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ANIVERSÁRIO E LANÇAMENTO DE “BORDADOS DO PENSAMENTO”

May 3, 2017

            Na semana passada eu lia as ultimas páginas de um livro de Padre Fábio de Melo e iniciei a leitura de “Crôntos – Cotidiano em prosa!” de um autor muriaeense que gosto muito – Elias Muratori – estava à página 103, quando fui para Cachoeira Alegre em função de alguns compromissos; entre eles estar presente às comemorações do aniversário de 90 anos de uma tia, quando se reuniu na Chácara do Eurico, - uma área para festa - toda a extensa família e amigos para abraçá-la pela data e fui surpreendido com o lançamento de um livro de autoria da aniversariante.

           A festa foi linda, mas, isso não me surpreende mais, pois, as primas, primos, sobrinhos e netos são muito criativos, têm enorme bom gosto e uma capacidade incrível de realizar eventos desse tipo. Surpreendeu-me foi depois das merecidas homenagens à matriarca da família, o anúncio do livro e dei de cara com “Bordados do Pensamento”. Estava diante de mim, em caixas, exemplares do livro cuja autora assinava Lourdes Maria Vardiero Ribeiro. Tive o ímpeto de saltar e tirar de dentro de uma daquelas caixas que eram trazidas até ao salão de festas pelo Robson, um livro e de imediato folheá-lo, senti-lo, olhar o índice, a orelha do livro, conferir o prefácio, ir virando paginas e chegar à ultima palavra nele impressa.

             Me contive, não seria de bom tom, esse agir intempestivo. Guardei naquelas caixas já vazias a minha ansiedade e esperei pelo momento de algum descuido de minha mãe, para, já em nossa casa, eu apanhar aquele tesouro e tê-lo nas mãos. Não foi fácil. Ora era a mãe, ora o pai. À noite de Primeiro de Maio, quando todos, na sala, assistiam à novela da globo; corri ao quarto de minha mãe, na certeza de que era aquela a oportunidade que eu teria para poder alcançar e tocar aquela jóia e, para minha decepção, sentado na cama, o pai lia atentamente o livro. Decepcionado, retornei à sala, sem tecer nenhum comentário. Pensei: preciso apanhá-los desprevenidos e o silencio é o segredo dos que “vigiam” e, o descuido, o desespero dos incautos guardiões.

             Hoje, dia 03-05-2017, quando estou retornando a Muriaé, vejo o cobiçado livro sobre a cristaleira, na cozinha de minha mãe e disse: “é agora”! Não tive coragem de subtraí-lo, de pegar sem o consentimento. Aliás, não foi isso o que eles me ensinaram. Então, fui até à mãe, que lavava roupas no tanque e confessei o meu desejo quase que incontido de ter o livro, o meu quase pecado de ter furtado-o. “Já o li. É de fato muito interessante. Se queres, pode levar para ler”, disse-me a mãe. Mas devolva-me depois, pois há mais alguém que deseja também ler, acrescentou ela.

            Trouxe comigo o livro e assim como a minha mãe e tantos outros, já o li também. Terminei a pouco de ler e não nego que o fiz com sofreguidão, com um desejo louco. Estou ainda impactado com a leitura. Que delícia esse Livro! Que sacada a desses meus primos, - a comissão que pensou, organizou e tocou o projeto – É sem dúvida um tesouro para ser tocado, cuidado, lido outras tantas vezes, guardado, revisitado, exibido, exaltado... Parabéns a toda a equipe pelo carinho, o cuidado e a dedicação com as pérolas da autora, a determinação, o entusiasmo _ que creio eu, envolveu-os – a fidelidade à escritora, mantendo seu vocabulário, onde se experimenta o sabor das palavras expressas, escritas e impressas na extensão de cada frase.

             O jeito sereno, a voz mansa e tranquila, a fé que sempre a moveu e que direcionou seus passos, o carinho e atenção para com todos aqueles que a visitam, eu já conhecia. Na condição de sobrinho, - fato que me muito me honra em função das muitas virtudes que possui e agora, ainda mais, pois se acrescenta à sua biografia o adjetivo de escritora – pude ao longo desses anos experimentar um pouquinho de tudo isso nas visitas que fiz à querida Tia Lourdes. Contudo, desconhecia o fato de que ela escrevia, de que ela arranjara tempo também para isso e, muito menos que o fizesse dessa forma gostosa de se ler.

            Passar para o papel esses seus registros é uma forma de eternizá-los, encanta-me os seus trabalhos manuais ali expostos, as citações bíblicas, as orações e preces, a mente prodigiosa ao registrar o aniversário de filhos, netos, bisnetos e outros, a lucidez ao relatar fatos políticos, esportivos, sociais, religiosos, enfim ao falar do cotidiano.

             Da forma com que vai bordando, tricotando, confeccionando as peças; Tia Lourdes vai tecendo os seus dias em seus relatos, quando ela fala das dores do mundo, de alegrias e tristezas, amor, perdão, paz... São retalhos da vida que se alinham e depois de bordados e alinhavados por ela, formam um belo mosaico que, através de “Bordados do Pensamentos”, como uma cortina, se abre para a janela do mundo.

              Quantas lições nesse “Bordados do Pensamento”. E quando aos 90 Anos, as forças diminuem e a idade avança, que redobremos a nossa ternura para que a solidão não a possa alcançar e que seu semblante tranqüilo continue a falar-nos do rosto materno de Deus.

Fernando Mauro Ribeiro

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