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RASCUNHOS DE UMA NOITE

September 8, 2017

           O que agora registrarei aqui, nem mesmo eu sei exatamente. Posso chamar de “Rascunhos de uma Noite”, pode-se chamar também: “Angústia e solidão num adeus noturno” ou “Verdades que se revelam na madrugada fria”. Vou escrever simplesmente o que ditar o meu pensamento, deixar que o grafite risque as alvas páginas desse pequeno caderno como um menino que abrindo os olhos, se espanta com o luar no quarto, e sentindo no peito o aperto, aquele aperto, deseja chamar pela mãe.

     A solidão, o desamparo das horas lentas da noite, um gemido baixinho, um gemido profundo, uma queixa dolorida, a janela entreaberta, o frio da madrugada, faróis que projetam imagens nas paredes do Módulo IV ao trafegarem pela BR 116, uma prece, sono vencido, sonhos perdidos, arrepios, o borbulhar do oxigênio ao fazer o seu percurso, sons inconfundíveis da orquestra da noite, fragmentos de lembranças.

     A quem escrevo? A todos os irmãos que estão em Cachoeira Alegre, a todos de outras paragens; àqueles que me leem em qualquer estação-vida; a todos os queridos de Deus; os filhos da Luz, chamados a serem santos. A todos vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo!  

     Primeiramente, dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque com vossas orações dão testemunho de vossa fé, me edificam nesse momento difícil e sustentam também a minha fé nesse Deus a quem sirvo e desejo ser fiel para todo o sempre. Ao nosso Deus, se for de sua vontade, suplico conceder-me tempo favorável. Desejo ardentemente uma graça. Mais que isso, estou a procura de um milagre.

    

 Muitos de vós, sabeis o quanto sou limitado, sou pecador e isso aparecerá claramente no dia em que Deus julgar as ações secretas dos homens. Entretanto, reconhecendo-me como tal, arrependido de meus deslizes e confiante na misericórdia do Pai, me proponho um recomeço ao amanhecer de cada dia. 

     “Bata e a porta se abrirá; Peça e vos será dado”. São promessas do Filho de Deus a todos. Por isso, não me envergonho de pedir, não me canso de suplicar ao Pai. Sei que sou por Ele amado e não conseguiria descrever as maravilhas que Ele faz na minha vida e, nos meus louvores, agradeço-O por vosso infinito amor. Nas tribulações também O glorifico, pois é no louvor que Ele age. É com a nossa gratidão, nossos salmos que podemos experimentar a Sua presença transformadora, na esperança de estar um dia na sua glória.

     A tribulação do momento, Deus sabe qual é e vós também o sabeis: Faz hoje, dez dias que estou com a mulher que Deus me deu como esposa, aqui no H C M. Correm os ponteiros do relógio e assinalam 01:30 H, da madrugada. O tempo, implacável que é, revela-me que estamos na primeira hora do dia 08 de setembro de 2017; dia do seu aniversário.

     Conceição, minha florzinha do campo – assim a chamo – está sobre o leito e seu quadro de saúde é grave. Mais que isso, gravíssimo. Mais que isso: irreversível. Foi o que disse o médico, no dia 06-09-2017.

       Mais cedo, amigos vieram vê-la, para abraçá-la e confortar-me, mas todos se foram. Se fez noite-madrugada e agora tudo é silencio! Aqui: Deus, ela e eu! Converso com o Pai do Céu, converso com a minha amada e dessa forma vou alinhavando esses momentos, costurando os retalhos de saudade para tecer a colcha de nossa vida.

     Quando as 14:20h, de quarta-feira, o doutor Fabrício chamou-me à parte, para conversar, lembrei-me: “Do caminho da Cruz vem a misericórdia do Pai que abraça o mundo inteiro”. (Papa Francisco). “É preciso ser forte”, assim começou a falar o médico. Deu-me explicações de como conduziu o tratamento, que o câncer migrou para o pulmão e acrescentou: “Não há mais nada a fazer”!

-      Meu Deus, “a finitude passeia entre nós. Ceifa-nos em pequenas medidas, leva-nos pelas mãos. Viver é isso. Despedida sem alardes”. (Padre Fábio de Melo). Foi o que eu disse para mim mesmo, tentando conter-me. E rezei: “Pai Santo, é com os olhos cheios de lágrimas que Lhes digo mais uma vez que ‘não aprendi a dizer adeus’, que vou guardar a minha dor e que ela só será revelada no silencio da oração”. “Pai amado, que a experiência da ressurreição de teu Filho Jesus reacenda em mim toda a certeza de que os teus braços acolherão a minha mulher ao fim de tudo; que eu tenha a coragem de crer que a cada manhã o teu amor renasce e ilumina o mundo”.

     Fui até a minha casa algumas horas depois e enquanto eu me banhava, sozinho comigo mesmo, na solidão de minha casa, na angústia que se experimenta secretamente, me permiti chorar. As lágrimas banharam o meu rosto, antecipando-se a água do chuveiro que depois se misturaram e eu rezava a Ti; “Pai, nesse momento, o que tenho a Vos oferecer são minhas lágrimas”. “Que o Teu nome seja louvado e glorificado, pois, não vou me revoltar contra Vós”.

     “Mas, olha Pai; eu Te pedi tanto que preservasse a vida do meu amor; que me concedesse mais alguns anos do seu convívio! Ó Pai, há sonhos ainda por sonhar, há projetos não concluídos; Abraços a serem dados e recebidos...” Não vou me revoltar meu Deus, é em Ti que deposito toda a minha confiança. Louvado e glorificado seja o Teu nome para sempre. Eu te louvo e agradeço pelo presente que me destes, pela joia que me destes naquele altar me pedindo para eu cuidar: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença... Obrigado pelo anos de convivência, o brigado pelo aprendizado, pelo amor, pelo carinho. Entendo que agora a queres de volta.

     Que se faça a Vossa vontade Pai. Não é a minha e com certeza, não é a de muita gente, pois Conceição é muito amada de todos. Faça ó Pai de Misericórdia a Vossa vontade e, que nesse mundo marcado por tantas preocupações, dá-me a graça e a serenidade de sentar-me aos teus pés e colocar minha vida em teu altar, como o fiz tantas vezes, de joelhos, na Capela do Santíssimo. Vós conheceis as minhas angústias Senhor, porque me sondas, conheces todos os meus passos, onde quer que eu esteja eu sei que me alcanças. Amém!

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