Editor: Fernando Mauro Ribeiro - portalnovotempo.com - © 2017 PORTAL NOVO TEMPO CACHOEIRA ALEGRE/MG.

  • Facebook - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • Google+ - Black Circle
Please reload

Posts Recentes

       Quando a Palavra toca o coração das pessoas, elas compreendem melhor o amor de Deus por elas. Quando tomados pela misericórdia divina...

CELEBRAMOS NESSE DIA 04, OS 24 ANOS DE IDEALIZAÇÃO DA FUNDAÇÃO

September 4, 2019

1/1
Please reload

Posts Em Destaque

ENTRE FLORES, VELAS E ALGODÃO DOCE

             Qualquer um de nós, tendo ido aos cemitérios neste dia de Finados, viu cenas interessantes entre velas, flores e algodão doce (pelo menos aqui no Cemitério Senhor do Bom Fim). Finados é, até certo ponto, uma festa para os vivos. Enquanto visitamos, com saudade, os túmulos dos falecidos, temos a alegria de reencontrar os vivos que por sua vez fazem o mesmo: rezar pelos mortos, levar flores, e bater um papo com os amigos que nem sempre encontramos. Seja porque alguns moram longe, seja porque, mesmo morando perto, as ocupações diárias dificultam o encontro das pessoas. Mas ali, não. À porta do cemitério, todos têm tempo para um bate papo, para um aperto de mão, para perguntar sobre aquele velho amigo que há tempo não se vê, e que às vezes (surpresa!), não sabíamos, também ele já morreu.

    

 

  Aconteceu comigo. Perguntaram de minha esposa, ela falecera recentemente - 08-09-2017 – o amigo, um tanto sem graça, pediu-me desculpa. Também eu fiquei sem graça, mas não acho deseducado, nem me sinto ofendido. Caramba, se a pessoa desconhece os fatos! Particularmente, sou mais contido nessas questões e, na dúvida, prefiro não perguntar. É obvio que causa desconforto para ambos. Eu entendo e acho que todos entendem essa gafe. Afinal, é “Finados” e para lá, o cemitério, todos vamos um dia, definitivamente, mesmo que digamos que não temos pressa e nem queiramos pensar nisso. E a entrada do cemitério vira festa. São flores de todos os tipos, são velas, são pessoas – hoje com mais naturalidade -  usando óculos escuros. Como que para esconder uma lágrima furtiva de verdadeira saudade, ou para disfarçar uma lágrima que não veio, ou talvez ainda para dar a entender uma tristeza que não seja lá muito sincera.

     Não poderiam faltar, além das barraquinhas de flores, que se estendem desde a Praça Cel. Pacheco, até aquelas estrategicamente colocadas ao lado dos portões, os carrinhos de água de coco, de sorvetes, hot dog, algodão doce e outras guloseimas. Afinal, morto não comemora aqui, mas comemora lá no céu, onde não há necessidade de comida terrena. Mas os vivos aqui sim, não festejam sem um agrado gastronômico. Apenas esta festa de Finados tem um gosto amargo. No fundo, lá, no coração de todos que vamos a esta festa, resta um medo do inevitável: “Todos morreremos”.

     Além do sorriso amigo, das flores, da agitação, da saudade dos que já partiram, todos disfarçamos essa angustia da certeza de que nos uniremos aos que já se foram. E que ali, naquele estreito pedaço de chão já visitado por tantos que nos precederam, seremos todos igualmente nivelados, até mesmo pelo esquecimento dos que virão depois de nós. Assim, participei da primeira Missa no Cemitério do Bom Fim, levei flores para a minha amada, falei com Deus da saudade que é grande, fiz minhas orações. Outras missas foram celebradas lá, mas eu precisava – como faço todos os anos – também ir ao cemitério Bom Pastor de Cachoeira Alegre.

    

 

Fui, portanto, na parte da tarde ao cemitério em Cachoeira, visitar o túmulo da família, dos amigos e o meu próprio que lá está há quase vinte anos. E fiquei a imaginar: é aqui nesse estreito espaço que estarei um dia e que, como todos serei também esquecido. Assim restarão, às portas do cemitério, as sobras de velas, de copos descartáveis, de varetas de algodão doce, de flores murchas... Os vivos voltarão às suas casas, às suas atividades, às suas lutas, às suas alegrias e tristezas. Mas... não serão os mesmos de antes. Haverá uma sombra no brilho dos olhos até o ano seguinte, quando alguns já terão chegado antes ao cemitério.

     Porém essa realidade que para uns pode ser carregada de uma tristeza sem solução – por não crerem na Vida Eterna -, para outros, os que creem no Evangelho, tem uma razão de otimismo: todos viveremos em Cristo. “Quem crê no Filho do Homem, terá a Vida Eterna” (João 3-36). Então a festa tem outro prisma, outra maneira de ser celebrada.  Será a festa da vitória do Amor de Deus sobre a morte e o pecado, causa da morte. É preciso dialogar com o mundo da morte para que a vida tenha sentido.

Fernando M. Ribeiro baseado em um artigo do Jornal das Missões Redentoristas.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Siga
Please reload

Procurar por tags