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UM MUNDO COMPLEXO

         Os palhaços são personagens sempre cercados de obrigações, regras e restrições. Eles devem permanecer do lado de fora das casas dos devotos até o momento de sua apresentação e, por vezes, considera-se perigoso tocar em suas vestes ou máscara.

       O motivo de tanto cuidado com esses personagens misteriosos está nos significados a eles atribuídos. Algumas interpretações os relacionam com o diabo (o cão), com o rei Herodes ou com seus soldados, que teriam saído em perseguição para matar o menino Jesus, segundo os mitos narrados.

Palhaços estão aparentemente mais ligados à esfera profana, mas seu vínculo com a folia se dá certamente pela via sagrada. Uma pessoa, por exemplo, torna-se um palhaço, muitas vezes, em decorrência do pagamento de uma promessa feita aos reis magos.

         A brincadeira do palhaço é, de certa forma, o lugar potencial da subversão, da desordem, da criatividade, em contraste com a formalidade e a solenidade do canto, da música, das palavras e dos gestos dos foliões. Essas oposições parecem evidenciar um sistema simbólico que aponta para o fato de que foliões e devotos compõem uma visão totalizadora do mundo.

       A característica mais marcante do palhaço, entretanto, parece ser sua ambivalência. O palhaço pode ser visto como um ser liminar que tem o poder de transitar entre os domínios do puro e do impuro, do bem e do mal. Sua ambivalência é atestada pela ideia difundida entre foliões de que um bom palhaço deve ter tanto conhecimento sobre as profecias quanto um mestre, podendo até mesmo substituí-lo em uma eventualidade.

       A ambiguidade própria do palhaço o leva a lidar concretamente com forças perigosas decorrentes da ação das divindades ou dos próprios homens. Por esta razão, muitos são os preparativos que os palhaços devem realizar antes de se fardar e sair em uma folia. Ele rezam, acendem velas, louvam a bandeira, são purificados por passes de benzedeiras etc. Os palhaços também acreditam ser alvo frequente de bruxaria, muitas vezes causada por disputas e rivalidades, nas quais pode estar em jogo a manutenção de certo prestígio pessoal. Palhaços ficam mudos ou desmaiam e atribuem o fato, com frequência, a ações malfazejas realizadas por grupos de foliões rivais. A importância do personagem está em renovar e atualizar

          Para receber a bandeira de volta, ao fim do longo ciclo de visitações, o altar deve estar cuidadosamente arrumado, com imagens de santos, lâmpadas coloridas e enfeites natalinos. Nessa ocasião, os foliões passam por um ritual especialmente importante, no qual se despedem da bandeira. Os palhaços retiram as máscaras e caminham de joelhos em direção à bandeira, deitando-se de bruços diante dela.

          Diz-se que, nessa ocasião, os palhaços estão pedindo perdão pela perseguição ao menino Jesus, como aparece nos mitos, e declarando-se arrependidos. Trata-se de uma conversão simbólica, por meio da qual é confirmada a supremacia moral do bem contra o mal, da ordem contra a desordem. Uma das muitas explicações que foliões dão para o uso de máscaras pelos palhaços é que, de acordo com os mitos, soldados de Herodes que se converteram, ao ver o menino Jesus, as teriam adotado para que o próprio Herodes não os reconhecesse e acusasse de traição.


(Extraído do site setecidades@dgabc.com.br)

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