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HISTÓRIAS MÍSTICAS JÁ ASSOMBRARAM CACHOEIRA ALEGRE

August 22, 2018

22: DIA DO FOLCLORE: Em todos os tempos e lugares, pessoas juram que já foram tomadas por algo estranho, sobrenatural, Cachoeira Alegre também teve seus momentos místicos.

      No tempo da escravatura, as babás e as mães-pretas inculcavam nas crianças a existência destes fenômenos. Até mesmo senhores de escravos temiam a aparição de algum ser sobrenatural. Os habitantes das cidades, por influência de serviçais negros, diziam-se vítimas de aparições inimagináveis. Minha vó paterna passava alguns desses “fatos” (ou seriam causos?). Era comum ouvir dos mais velhos relatos desse tipo.

      Dizia-se que, no período da quaresma, principalmente, as chances de esses fenômenos acontecerem, eram muito maiores. Bastava anoitecer e estabelecia-se o medo. Depois de os ponteiros do relógio acusarem meia noite, os riscos eram maiores e o medo se intensificava. Um animal que passasse a trote 9 ou em disparada) pela rua principal, já seria a tão temida mula sem cabeça.

       Muita gente afirmava ter visto a mula sem cabeça galopando pelas ruas de Cachoeira Alegre. Ora descendo a Padre Messias, passando pela Mario Ribeiro no sentido Palestina. Ora surgindo da Palestina, passando pela Mario Ribeiro, Manoel Fernandes, Padre Nonato e seguia rumo a Barão de Monte Alto, soltando gogo pelo pescoço e causando morte e destruição por onde passava.

        Hoje me pergunto como essas mulas andavam e galopavam se não tendo cabeça, também não teriam olhos?  Quem pode afirmar que o destino desses animais era Barão? Será que no trevo da Guarita, eles não poderiam seguir para Muriaé? Por que essas mulas sem cabeças se dirigiam para a Palestina e não para Bom Jesus ou Silveira Carvalho?

       A algumas dessas perguntas, eu mesmo respondo em tom de brincadeira: Optavam por seguir para Palestina e não para Bom Jesus, com medo de serem atropeladas ao atravessarem a BR 116. Não iam para Muriaé porque, já cansadas optavam por Barão, mais perto. Silveira Carvalho não era rota aconselhável talvez, pelo risco de serem arrastadas por alguma locomotiva na travessia da linha dos trens ferroviários.

       Brincadeiras à parte, a verdade é que havia em cada canto um local específico onde essas “coisas” aconteciam. Muitas vezes, nos moirões das porteiras, quando a pessoa ia abri-la, as assombrações se apresentavam. A caminho da Palestina, na entrada do Sitio do Serrador, de propriedade de Miguel Arquetti, havia uma enorme árvore – um pau d’alio – e ali, um menino aparecia para quem quer que seja que passasse, com a interrogação: “Aqui que é o caminho”? Outras vezes, um menino de uma perna só – o saci-pererê – montava na garupa e açoitava os animais.

       A mata dos Puris, - índios que ali habitavam, oriundos de Muriaé e que aqui chegaram navegando o Rio Cachoeira Alegre, que deságua no rio Muriaé, na divisa com o município de Patrocínio, ali permaneceram por algum tempo, outros seguiram para Cachoeira Alegre, em virtude das condições que lhes propiciavam boa pesca e caça.

       Os Puris sempre foram tidos como feiticeiros e isso os valeu sérios aborrecimentos, pois tudo o que acontecia com os Botocudos (Designação dada para tribos diferentes, linguisticamente distintas) era atribuída aos Puris. Por isso, as outras tribos caçavam os Puris para mata-los.

      Mas, Cachoeira, não era a única onde esses fenômenos, supostamente, aconteciam. Cidades como Muriaé, traz também, em sua história, relatos desse tipo: Conta-se que um antigo morador do bairro do Rosário, certa noite, quando passava pelo Largo das Dores (atual Praça João Pinheiro) viu algo realmente estranho. Certa madrugada, quando voltava para casa, teve que passar pelo Largo, junto aos animais que lá dormiam. De repente, um dos bois se levantou, adquirindo um enorme par de asas, levantando voo e desaparecendo no espaço. Bois, vacas e cavalos debandaram em correria, o rapaz que presenciara tudo, por causa do susto, caiu desmaiado: foi encontrado no dia seguinte pálido, trêmulo e tonto.

        As pessoas diziam que a visão era uma advertência de que qualquer coisa má estava para acontecer. Poucos dias depois, uma epidemia de febre não identificada começou a se alastrar pela cidade, fazendo muitas vítimas. “Coincidência?!”

       Estas visões e aparições chegaram a preocupar, na época, as autoridades eclesiásticas de Minas Gerais. Dom Silvério Gomes, arcebispo de Mariana, conta em um de seus livros, que Dom Viçoso, também Arcebispo de Mariana, que apesar das dificuldades de meios de transporte, veio a Muriaé, para abençoar a cidade e pedir aos católicos que rezassem pelos incrédulos e obcecados tementes daquelas visões e aparições. Essa visita de Dom Viçoso foi muito comentada na época, pelos moradores da cidade, segundo matéria do Jornal da Cidade (05-09-2002)

Fernando M. Ribeiro

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