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PROCURA-SE UM ATOR LOUCO

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No dia dez de setembro se comemora o Dia da Imprensa e, o pai dessa matéria é jornalista e autor de novelas. Gostei do texto e decidi publicá-lo:

      

“Confesso que já tive medo de grandes atores. Antes de conhecer alguns deles, achava que eram todos loucos. Pois não é comum alguém entrar, todos os dias sem a menor cerimônia, na pele e na mente de outro. Quando conheci Armando Bogus, que me foi apresentado por Paulo Ubiratan, durante as gravações de “Roque Santeiro”, a primeira coisa que pensei foi: “este cara é um monstro”! E, era sim, portador de um talento monstruoso. Ele morreu cedo, para minha tristeza, logo depois de fazer um arquivilão em “Pedra sobre pedra”, de minha autoria, que foi sua última novela.

         Recordo-me de que a certa altura do trabalho, Paulo Ubiratan me ligou, disse que Bogus estava muito doente e não podia fazer esforço. Ele me falou: “Diminui a participação dele”. Eu o fiz durante dez capítulos. Então, foi a vez do próprio Bogus me ligar dizendo que aquela era a seria última novela e me pedir: “Não me poupa, vai fundo, quero chegar ao fim com tudo”! Fiz o que ele queria. Não o privei das cenas mais absurdas. E ele fez todas com a genialidade que era sua marca. No fim da novela, eu lhe prestei uma homenagem ao transformar o seu personagem numa estátua de pedra – um monumento para o grande e louco ator que ele era.

       Hoje, que já sou amigo de uns poucos, acho que os grandes atores podem não sê-lo de todo...  Mas são, sim, meio loucos. Tanto que, na época em que o teatro era a melhor diversão e não o cinema, quando alguns deles tinham que viver um personagem diferente por dia durante anos, era comum que acabassem por enlouquecer em pleno palco. O equivalente atual ao teatro de repertório, no qual esses antigos atores faziam um personagem de Shakespeare por dia, se contar as matinês e sessões duplas, é sem dúvida a novela. Não estou falando de qualidade, mas de quantidade.

       Um dia, em “Vale tudo”, Regina Duarte se queixou de que não conseguia mais decorar a imensa quantidade de textos que nós lhe dávamos toda semana: “Meu cérebro está igual a uma esponja encharcada”, ela disse: “Não absorve nem mais uma gota de água”. Agora imaginem se eu, Gilberto Braga e Leonor Basséres, os autores, tivéssemos diminuído a participação de Raquel na novela. É claro que Regina teria reclamado... E certamente também o público.

        

 

Sim, os grandes atores podem até não ser loucos... Mas a natureza do trabalho deles os torna estranhos. Agora vocês me perguntam porque estou falando sobre isso e eu respondo: porque tenho acompanhado com grande interesse as aulas de atuação do curso que estou produzindo no Teatro Net, em Copacabana. É quase certo que alguns deles, uns poucos, depois de muita aplicação, concentração e foco, tornem-se grandes. Quais? Os que já têm essa “estranheza” de que falei anteriormente e não se envergonham de mostra-la durante as aulas.

         Sim, já tive certo medo de grandes atores. Mas desde que comecei a vê-los no velho e bom cinema de minha infância, também me apaixonei por eles. Dá gosto ver uma grande dama como Lilian Cabral enlouquecer no palco e fazer uma certa Maria do Caritó tão viva, que depois de assisti-la, nunca mais nos esqueceremos dela. Então, para encerrar, recordemos: já tive medo de conviver com grandes atores. Ainda tenho um pouco, mas o meu medo é pouco para o grande amor que sinto pelo trabalho deles. E serei a criatura mais feliz do mundo se alguns mostrarem que podem se tornar grandes neste meu curso.

Aguinaldo Silva

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