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September 4, 2019

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OS MARCIANOS FREQUENTAM CASSINOS? JOGOS DE AZAR

       Um amigo meu fez uma excursão às Cataratas do Iguaçu. À noite, ele e os membros de seu grupo receberam uma proposta: Atravessar a Ponte da Amizade para conhecer um Cassino no Paraguai. Um carro, do próprio cassino, foi pegá-los no hotel. Gentileza da casa... Eles foram, viram, jogaram e perderam. Quando retornavam para o lado brasileiro, esse meu amigo fez uma pergunta ao motorista que os conduzia: “Há quanto tempo você faz esse serviço”? A resposta saiu rápida: Há cinco anos!

       Nova pergunta: “Nesses cinco anos, alguma vez você levou de volta para o hotel alguém que tenha ganhado muito dinheiro lá no cassino”? Tivesse perguntado se os marcianos também vão ao cassino, a pergunta não teria causado tanta surpresa ao condutor. “Alguém que ganhou muito dinheiro? Nunca”! Foi um nunca arrastado, acentuado, num tom elevado.

       Essa é a história que se repete em cada cassino, de qualquer país. Ora, não bastasse os problemas que o Brasil enfrenta – preciso elenca-los? Problemas econômicos, sociais, políticos etc. -, querem agora, a “toque de caixa” e “na surdina da noite” (desculpe-me esses lugares comuns) aprovar a legalização dos jogos de azar no Brasil. Bom, aí está, e em avançada tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, o PL 442/91 e o PLS 186/14.

       A CNBB se posicionou contra esse projeto, numa nota de 16-11-2016, que pode ser encontrada facilmente na internet. São muitos os argumentos defendidos pelos que defendem a legalização dos jogos de azar: aumentar a arrecadação de impostos, favorecer a criação de novos postos de trabalhos e contribuirá para tirar o Brasil da atual crise econômica. Tais defensores, não se tem manifestado a respeito da possível associação dos jogos de azar com a lavagem de dinheiro e o crime organizado.

       Mais uma vez, o que se vê? A falta de uma discussão aprofundada na questão e na indiferença de muitos, frente às graves consequências da legalização dos jogos de azar no Brasil. Está provado que o jogo de azar traz consigo irreparáveis prejuízos morais, sociais e, particularmente, familiares.

       O código Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde considera o jogo compulsivo uma doença. As organizações que têm o jogo como negócio prosperam e seus proprietários, - os senhores do jogo -  se tornam cada vez mais ricos. Nosso país não precisa disso!

        É com lembrar que a autorização dos jogos de azar não vai tornar esses jogos bons e honestos. Aliás, vale aqui a observação de Jesus: “Uma árvore má não pode dar frutos bons (cf. Mt 7-18). Manifeste-se, pois, aos Deputados Federais e aos Senadores. Peça-lhes. Suplique-lhes, escreva e insista para que seu voto não seja um desprezo por nossas famílias e seus valores fundamentais.

Arcebispo Dom Murilo S. R. Krieger, scj – São Salvador da Bahia, primaz do Brasil.

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