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CRÔNICA DE UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

February 24, 2019

        A mídia de um modo geral, falou à exaustão da tragédia em Brumadinho. Não que eu ache que se tenha falado de mais, não. O que quero dizer é, que se falou muito. Mas, creio que muito se há ainda que dizer, que se investigar, que se denunciar.

       Comprei alguns jornais de Minas, e eles sistematicamente, ininterruptamente, veicularam notícias com as mais diversas manchetes. Acho que o papel da mídia é esse mesmo, não se deve impreterivelmente, deixar que esse fato caia no esquecimento. Estou a pensar: rompimento de barragens, corpos soterrados, rios poluídos, famílias despedaçadas... Meu Deus, por que não aprendemos com Mariana?

      Bem amigos leitores, a matéria que se segue não tem minha assinatura. Na verdade, eu iniciei um artigo, relutei e resisti para não escrever sobre esse episódio tão triste, essa realidade tão dura, mas, quando li essa coluna no jornal Gazeta de Muriaé, decidi que a publicaria. O autor inicia exatamente como eu iniciara ... Veja a matéria:

      

 

Não queria escrever de coisas tão tristes, de realidades tão duras. Queria apenas levar ao leitor mensagens mais leves, mais pueris. Queria que pudesses ler essa crônica tomando um café ou se empanturrando de doces após um farto almoço. Mas não posso fazer isso, meus pensamentos não se afastam das vítimas da tragédia anunciada que ocorreu em Mariana e agora em Brumadinho.

       Eu conheço as duas cidades, tenho orgulho em ser mineiro. Já dizia o poeta itabirano Carlos Drummond Andrade em 1984; “Quantas toneladas exportamos de ferro? Quantas lágrimas disfarçamos sem berro”? Sendo assim, caro leitor, sinto muito por frustrar sua mesa de jantar ou de bar. A crônica que se apresenta a seus olhos é uma espécie de berro.

       Não posso me calar perante as atrocidades que ocorrem em minha querida Minas Gerais. Você já viu um morro? Todo florido, o cheiro, o perfume das flores, a maciez de sentar, o vento. Já viu um morro em processo de mineração? É a mesma coisa que ver a morte de um gigante. O fedor, a podridão é a mesma. A tristeza é imensa, o pesar nunca termina. Choro muito quando vejo a mineração atuando. Sim, reconheço que gera empregos. Mas, o baixo salário dos empregados vale a morte de um morro?

       E quando ocorre as tragédias anunciadas? O minério vale mais que a morte de centenas? E os animais soterrados na lama? E quando o minério acabar? O que sobra quando o minério acaba? Sobra apenas um lastro de destruição, de fome, de podridão, de vidas desperdiçadas, a carcaça de um antigo monte, a carniça das carnes mortas.

       Catástrofe e progresso são palavras bem próximas. Há inúmeras coisas ruins que impelem o progresso. A guerra, por exemplo, é a grande motivadora do progresso. Isso ocorre pelo fato de que o progresso consome vidas, consome água, consome todos os recursos naturais. Mas quem quer se preocupar com isso?

       Bom mesmo é entrar em meu carro, ligar o ar condicionado e queimar bastante combustível. Quando as tragédias acontecem eu envio três quilos de alimento e me sinto bem comigo mesmo. De boca cheia anuncio para os amigos: Olha, eu estou enviando alimentos para os desvalidos! Não nos importamos com as questões ambientais de forma séria. Quando um político fala em fragilizar os organismos de controle e fiscalização de alterações no meio ambiente, pouco nos importamos.

       Quando elegemos um político que já foi multado por causas ambientais não nos importamos. E daí, não é mesmo? Caso ele tivesse matado alguém ... Contudo, agindo de forma displicente, corrupta e criminosa com as questões ambientais, está sim, matando muitas vidas. Porém, não são vidas que importam? Será que realmente nos importamos?

       Não podemos também nos esquecer de que quando nos omitimos, quando defendemos a ausência de viés ideológico, estamos sim, sujando nossas mãos com o sangue dos inocentes. Não seremos perdoados, inocente leitor. A lama dos dejetos da mineração não ficará apenas nas barragens. Ela entrará em nossas casas, nossas artérias, em nossos corações. Escolhemos o que plantar, mas só colhemos o que plantamos.

Por Natalino Oliveira

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