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ENTREVISTA COM O SEMINARISTA MÁRCIO JOSÉ FERREIRA JUNIOR

April 25, 2019

Novo Tempo: Gostaria que você falasse um pouco de você, sua família, projetos, sua trajetória.                                                                                                                                              Marcio: Eu sou natural de Santana de Cataguases. Minha família, tanto materna quanto paterna é santanense, mas eu sempre morei em Sereno, que é um distrito de Santana de Cataguases. A Igreja de minha Comunidade, consagrada a N. S. Imaculada Conceição pertence à Paróquia de Santana. Meu pai é Marcio José Ferreira e minha mãe Dineia Ribeiro Bernardes Ferreira, nasci no dia 06 de janeiro de 1996, tenho, portanto, 23 anos. Sou o filho mais velho e tenho uma irmã mais nova que mora com minha mãe em Sereno.

 

 

 

Novo Tempo: Como e quando surgiu sua vocação?

Marcio: Desde pequeno frequentei a Igreja, com 6 anos eu era coroinha, recebi os sacramentos que fazem parte da vida do católico, que se inicia com o Batismo. Um casal de coordenadores de pastorais, de nome: Gerônimo e Luzia, muito contribuíram para a minha formação. Eu ia com eles para as celebrações. Minha mãe, muito religiosa, mas porque trabalhava fora e chegava tarde, não podia me levar. Porém, nos finais de semana eu ia com ela à missa. Então, fui colocado dentro da Igreja. Posteriormente, vieram os movimentos, a Pastoral da Juventude, atuei como catequista e em outros trabalhos na minha Comunidade.

 

Novo Tempo: Entendo a vocação como um chamado. Quando percebestes esse chamado?

Marcio: Quando iniciei o ensino médio, foi um momento muito importante para mim, pois, os meus colegas de sala sabiam o que queriam para o futuro, eu não. Eu precisava olhar para a minha história e saber o que de fato eu queria para a minha vida. E nenhuma das escolhas dos amigos me atraía, me preenchia. Foi quando eu me abri ao chamado de Deus e percebi que eu queria de fato ser padre, que só o sacerdócio me preenchia.

 

Novo Tempo: Além da família, quem o influenciou?

Marcio: Quem muito me ajudou nesse processo inicial foi o padre José Carlos Leite, hoje pároco de Patrocínio do Muriaé. Conversávamos com muita frequência sobre vocação e ele me tirava dúvidas. Até mesmo na ocasião em que perdi meu pai, tive dificuldades, encontrei resistência por parte de minha família. Com a morte de meu pai, se questionava que automaticamente deveria ser eu o responsável pela casa e, eu era mais um membro a sair de casa. Foi complicado também para mim que sou muito apegado e até então nunca havia saído de casa, senão para estudar em Santana. Mas o padre José Carlos conversou comigo, com minha família e então tudo se resolveu.

 

Novo Tempo: Esclarecido e solucionado o impasse, qual foi o segundo passo?

Marcio: Concluindo o ensino médio em 2013, com muita oração, lendo, estudando, rezando e com a ajuda da família e de padre José Carlos, procurei a Diocese de Leopoldina, para um acompanhamento vocacional, onde fui acolhido com muito carinho. Fiz ali os primeiros encontros vocacionais, os padres, os seminaristas, os psicólogos me ajudaram bastante nesse processo. Em fevereiro de 2014 ingressei no Seminário Propedêutico, àquela época, na Paróquia do Rosário em Cataguases, cujo formador era o Padre Rodrigo, hoje atuando em Visconde do Rio Branco. Em 2015 fui para Juiz de Fora, para iniciar o período acadêmico, conclui o curso de filosofia e hoje estou no sexto ano de Seminário.

 

Novo Tempo: a ordenação deve acontecer quando?

Marcio: Estou cursando o segundo ano de Teologia, daqui a mais dois anos encerro esse processo acadêmico e, se Deus me der a graça e a Diocese vendo a possibilidade, no final de 2021 o Bispo Diocesano de acordo com as normas poderá fixar a data para as ordenações Diaconal e Presbiteral.

 

Portal Novo Tempo: É certo que não se trata de uma competição, mas é comum se ouvir que a Igreja Católica está perdendo muitos adeptos para as Igrejas Protestantes. O que tens a dizer nesse sentido?

Marcio: De fato, não entendo mesmo como uma competição. Tanto nós, católicos, quanto os irmãos de outras denominações cristãs, tem por finalidade mostrar o Cristo. Só que infelizmente surgiu um movimento na atualidade que nós chamamos de pentecostalismo ou new-pentecostalismo que tem atraído muitas pessoas a buscarem uma graça, um milagre, uma libertação, e tudo isso com uma grande pressa, com um imediatismo. Ao passo que, a Igreja Católica, tem também a RCC, Renovação Carismática Católica, mas, devido à sua tradição, ao seu ritual, a Missa, principalmente, é mais tradicional, mais silenciosa.

       E essas pessoas, movidas por um impulso e a necessidade imediata de uma graça, estão fazendo esse trânsito religioso. Penso que isso parece estranho e até mesmo prejudicial – não à Igreja Católica, mas ao próprio fiel, porque ele perde aquela ideia, aquela identidade cristã, religiosa em função de uma graça imediata, e se ela não a alcança, ela muda automaticamente para outra igreja protestante mesmo e aí vai gerando esse trânsito religioso. Muitos retornam à Igreja Católica porque percebem que essa realidade, essa espiritualidade, essa ânsia pela graça não a preenche e ela vai se tornando vazia e sente a necessidade de uma espiritualidade mais séria, mais tranquila e mais fundamentada como outras Igrejas mais tradicionais têm.

 

Novo Tempo: Seria por falta de conhecimento?

Márcio: Eu fico com o que disse Bento XVI, quando perguntado sobre essa mesma questão, a perda de fiéis católicos. Ele respondeu que: “Não há perda de fiéis católicos. Aqueles que saem da Igreja, não são fiéis”! Aquele que foi criado, que se debruçou, sobre a fé católica, que conhece a fé católica, é com certeza um fiel que busca amadurecer cada vez mais, dentro da sua Igreja. Muitas vezes, as pessoas que trocam de igreja – não de religião, porque estamos falando do cristianismo de modo geral – não conhecem nem a fé católica e nem a fé daquela igreja a qual ela vai pertencer.

Um exemplo muito claro que vemos nessa questão é o “rebatismo”. A Igreja Cristã recebeu dos apóstolos, não é uma coisa nova, é a fé apostólica porque é oriunda dos Apóstolos em que professamos um só batismo. E nós vemos pessoas que saem da igreja católica e entram numa igreja protestante e batizam novamente. Não há sentido nesse batismo, pois se outrora ela foi batizada, não há essa necessidade de um rebatismo. E, penso eu, falta de conhecimento da pessoa em relação à igreja na qual está inserida e à igreja na qual ela vai pertencer. Falta talvez, orientação.

 

Novo Tempo: Qual é a impressão que o jovem seminarista leva da Paróquia de Cachoeira Alegre?

Marcio: Cachoeira Alegre tem sempre boas referências entre os seminaristas e creio que também por parte dos padres. A impressão que levo daqui é bastante positiva. Uma Comunidade de fé, que ao mesmo tempo que passa por dificuldades, pessoais, espirituais ou materiais como na questão de infraestrutura, o que é natural; é um povo que busca a Deus. “Buscai primeiro o Reino de Deus e tudo mais lhe será dado em acréscimo”. Eu vejo que o povo de Cachoeira tem feito essa experiência, tem buscado a Deus numa vida pautada pela Palavra, vive essa passagem do Evangelho e, isso é muito bom, porque é mesmo com o tempo, com oração, e paciência que o Reino de Deus acontece.

 

Novo Tempo: O que você diria para um adolescente, um jovem que deseja tornar-se padre?

Marcio: Primeiro ponto a oração. O jovem quando se sente vocacionado, chamado à uma missão, seja ela religiosa sacerdotal ou até mesmo missionária, ele precisa entrar em oração. A oração é o sustento da vocação. Se há um alimento que fomenta a vocação do homem, é a oração. Então esse jovem precisa rezar bastante para que Deus possa falar ao seu coração. Depois ele deve procurar o padre de sua Paróquia – no nosso caso, o Pe. João Pedro - que vai conversar bastante com ele e orientá-lo. Deve procurar depois a Diocese que no início de cada ano divulga as datas para os encontros vocacionais.

 

Novo Tempo: Fale-nos um pouco desses encontros!

Márcio: Eles têm duração de um final de semana, com início numa sexta-feira à noite e se encerra no domingo com o almoço, normalmente acontecem na Casa de Cursilhos em Leopoldina. Lá os jovens passam o final de semana em oração, conversam com os padres, com jovens de outras paróquias, há também recreação, acompanhamento de psicólogos. É um encontro muito bom até mesmo para aquele que talvez não tenha muita certeza da vocação. É um encontro religioso, claro, fundamentado na oração, na espiritualidade, mas que abrange de forma bem geral nas vocações. Hoje, temos as vocações sacerdotais, mas temos também as que chamamos secundárias e que são tão importantes como médicos, professores...  tantas profissões dignas e necessárias para a humanidade.

 

Novo Tempo: Ajuda também àquele jovem que deseja constituir família, a discernir sobre a vocação à paternidade, não é mesmo?

Marcio: Sem dúvida! Nos encontros de que participei por exemplo, éramos 14 jovens, e desses, apenas 5 optaram pela vida religiosa. Lembro-me que ao final dos quatro encontros, dois deles que tinham namorada e que estavam ali em razão das dúvidas, nos disseram e também aos psicólogos: “Olha, eu saio daqui com a certeza de que desejo me casar e constituir família. Outro disse: “A minha vocação é ser enfermeiro, quero servir a Deus e à Igreja cuidando dos doentes”! Então, volto a dizer que é um encontro muito importante e que todo aquele jovem que pensa alguma coisa sobre o sacerdócio e tiver alguma dúvida deve fazer esse encontro que é muito válido e o ajudará bastante.

 

Novo Tempo: Você esteve ao longo dessa semana na sede da Paróquia, que é Cachoeira Alegre. Você conheceu as demais Igrejas? Qual é o balanço que fazes desse trabalho?

Marcio: Como eu disse na celebração de sábado na Matriz, em relação a Cachoeira, o balanço é altamente positivo. O povo católico que conheci tem uma espiritualidade muito fervorosa, a participação das pessoas nas procissões, na Santa Missa, a procura pela Eucaristia e o entusiasmo em todas as celebrações.

Quanto a Barão do Monte Alto, estive na casa do Pe. João Pedro que me recebeu, mas não tive na Igreja. Na Vila Vardiero, celebrei dois dias e conheci pessoas também muito dedicadas. Não conheci Silveira Carvalho, nem as outras Igrejas e Capelas da Paróquia.

 

Novo Tempo: Gostaria que deixasse uma mensagem de Páscoa a todos os paroquianos da Paróquia de São Sebastião de Cachoeira Alegre.

Marcio: A mensagem que deixo é de Páscoa mesmo: “A Páscoa da Ressurreição, a Páscoa da Nova Aliança. Se antes celebrávamos a passagem da escravidão do Egito, celebramos hoje, a Páscoa que Cristo nos oferece, essa passagem da vida do pecado para uma vida nova. Que nesse período pascal se estende por 40 dias, um tempo forte, tempo bonito da vida da Igreja, possamos buscar essa vivência de uma vida nova. O homem e a mulher que buscam experimentar o Cristo Ressuscitado precisam se transformar. E esse é o desejo de Deus. Penso que devemos sair do nosso comodismo, romper com as velhas estruturas e como Maria Madalena anunciar a todos o Cristo Ressuscitado.

Fernando M. Ribeiro

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