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COMO IDENTIFICAR E SER FIEL À VOCAÇÃO

        Em agosto, mês vocacional, a prática pastoral da Igreja motiva as reflexões neste sentido e chama a consciência a pôr-se a serviço dos outros nos projetos comunitários, na vida pública etc. Jovens e adultos são orientados no processo que define o rumo pessoal a tomar na vida.

       Formar consciência sobre vocações nos faz cientes dos dons recebidos de Deus. Leva à busca da verdade, justiça, amor sincero e respeito aos valores humanos e cristãos. E a apostar na vida com profunda doação de si. Assim, convites e expectativas vão se abrindo no horizonte da nossa curta passagem neste mundo.

       O turbilhão de propostas anexas à cultura do descartável o vocacionado, mas ele acolhe no íntimo o impulso para centralizar-se e se descobrir nos outros. Cada um “está em saída” de si mesmo, conforme se expressa o Papa Francisco. Cultivar a consciência vocacional significa discernir entre as realidades, ilusões e falsas motivações.

        Testes vocacionais, estágios, encontros de jovens, retiros, etc, favorecem o autoconhecimento e a opção fundamental na vida. O senso crítico e o discernimento nos libertam das amarras culturais: afã de consumo, mídia, modismos. Há o diálogo humilde com Deus na escuta da Palavra, na oração e participação da comunidade.

       Esta, aliás, é o terreno fértil da motivação vocacional, também para padres e religiosos continuarem fiéis. Mas na definição e na perseverança vocacional, não há espaço para improvisação, mero entusiasmo, atração por status social, motivações arrivistas e oportunistas nem decisão meramente subjetiva e individual.

      Enfim, no conceito bíblico-cristão, vocação é a estrutura inicial do “ser-em-Cristo a nova criatura”. (2 Cor. 5-17). O caminho da vocação exige olhar profético sobre a realidade ao redor: sofrimento, exclusão e negação da vida humana e sua dignidade.

       O chamado de Deus é certeza vivida na fé, acalentada nas dores e alegrias do cotidiano, mesmo que não se manifeste logo na psicologia do candidato preocupado em clarificar sua vocação ou lhe ser fiel.

       Grande perigo hoje na opção vocacional e na fidelidade em seguir Jesus é a cultura do carreirismo. Se isso pesar na decisão de ser padre, religioso ou casar-se, a vivencia vocacional levará a frustrações de ordem pessoal, comunitária ou eclesial.

        Cabe a cada um de nós, abraçar com garra os apelos que brotam no íntimo, conforme os dons dados por Deus, bem como, os “sinais do tempo”: o clamor por justiça, caridade e respeito que sobe dos corações humildes e retos. A perspectiva jubilosa e a angustia profética são inseparáveis da vocação, em especial na sacerdotal e consagrada.

Pe. Antônio Clayton Sant’Anna.

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