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CRIANÇAS, FAMÍLIA E SOCIEDADE

         Qualquer estudo sobre psicopatologias em crianças e adolescentes, só será efetivo se for associado ao estudo da família e da cultura, pois as diferenças culturais influenciam o nosso psiquismo.

       Os profissionais de saúde estão sempre diante de problemas culturais, como a violência, a precocidade, a exacerbação da sexualidade e a destruição da família. Sem compreender as sequelas que tais problemas geram no psiquismo do indivíduo, é impossível tratá-lo bem.

       As psicopatologias estão diretamente ligadas a transtornos no desenvolvimento da efetividade. Os cuidados que um indivíduo recebe, da concepção até a completa formação psíquica, vão definir sua estrutura afetiva e sua personalidade.

       Afetividade é a maneira como os sentimentos (amor, raiva, ciúme, saudade, medo) são organizados até a adolescência, quando já existe um produto final da personalidade. É um recurso psicológico fundamental do ser humano e a base das psicologias. Amaneira como o indivíduo lida com o mundo e consigo mesmo define sua estrutura psicológica.

       A afetividade é uma relação psicológica caracterizada pela dinâmica dos sentimentos, na Presença ou Ausência do objeto ao qual é dirigido o afeto, ou seja, como os sentimentos são vividos nestas duas circunstâncias.

       Presença é o momento em que vivemos todos os sentimentos da relação afetiva (amor, raiva, ciúme, inveja, saudade, medo). É um momento de sentimentos contraditórios, que vão exigir do sujeito uma aprendizagem para lidar com esses sentimentos.

        Ausência é o momento em que se percebe a qualidade do afeto, pois é na falta que se tem noção do quanto se deseja. Na ausência do objeto amado e dos sentimentos que frustram, sobram amor. Exemplo: a mãe briga com o filhinho em função de suas birras, mas quando ele dorme, ela chora de remorso, jurando não mais brigar com ele. É uma promessa impossível de ser cumprida, pois a relação afetiva (presença) do dia seguinte será recheada de prazer-desprazer, amor-raiva, gerando novas brigas.

       A falta desses conflitos implica na falta de afeto. Daí firmamos que o contrário do amor é a indiferença. O sujeito normal psicologicamente, é aquele que briga com as pessoas que mais ama. Chamamos de neurótico o indivíduo que vive a afetividade de forma conflitiva, porém completa.

       Quando ele não se relaciona integralmente com a afetividade, dizemos que ele está psicologicamente doente, psicótico ou psicopata. Nas psicoses, o o afeto só existe na ausência, ou seja, não existe a relação de afetividade. Não existe a oferta real de sentimentos, de cuidados. Caracteriza-se pela total incapacidade de suportar as emoções frustrantes, lidando apenas com o intelectual.

       Nas psicopatias, o afeto só se manifesta na presença do ser amado. O cuidado é até exagerado durante a presença, mas totalmente ausente quando afastado. O sujeito esquece que o outro existe quando a relação está ausente. O que está fora do seu campo visual não existe. Exemplo: o namorado que, mesmo apaixonado, ao se afastar da amada, passa a se interessar por outra mulher.

Texto: Dr. Ivan Roberto Capelatto

 

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