Please reload

Posts Recentes

       Quando a Palavra toca o coração das pessoas, elas compreendem melhor o amor de Deus por elas. Quando tomados pela misericórdia divina...

CELEBRAMOS NESSE DIA 04, OS 24 ANOS DE IDEALIZAÇÃO DA FUNDAÇÃO

September 4, 2019

1/1
Please reload

Posts Em Destaque

OUTONO EM CACHOEIRA ALEGRE

April 24, 2020

     

 

 

Outono é a estação do ano entre o verão e o inverno. No sentido figurado significa decadência. Talvez, um longo percurso da vida já percorrido. Nesse caso, é comum se dizer no outono da vida. Seria cruel dizer tratar-se de um período de decadência, penso. Mas, é essa a verdade que não nos permite subterfúgio. É quando as árvores, vergadas, já cansadas, veem suas folhas se desprenderem e se perderem no ar, no tempo, no espaço. Também nós, somos assim. Que me perdoem as balzaquianas – mulheres entre os trinta e quarenta – que não venham brigar comigo, nem me culpar. Culpem o tempo. Culpemos! Já que implacável, ele nos castiga a todos.

     Olha, sinceramente, não é legal sentir-se no outono da vida. Não é legal porque sabemos que a partir daí, inicia-se o período decadente. À medida que, as folhas do calendário se desprendem do bloco, estamos envelhecendo, tornando-nos mais limitados, cansados, outonais. Isso não é uma verdade absoluta. Posso mudar de ideia, daqui à pouco. Mas é inegável isso. É uma constatação e acontece com todos nós. Ainda que eu diga: à essa altura da vida já produzi bastante, fiz isso e aquilo. Sempre nos virá a ideia da proximidade do fim. Envelhecer é bom? Depende do ponto de vista, depende do dia, do humor, das circunstâncias. É evidente que, junto aos anos que vão se somando, soma-se também a experiência adquirida, os amores vividos, as amizades que se eternizam, os sonhos que se tornaram realidade... Mas, e os projetos ainda não concluídos? E o meu filho que queria vê-lo doutor em conhecimento? E o meu neto, com quem brinquei no tapete da sala e queria segui-lo até mais adiante?

     Bom, o outono da vida, seria mais ou menos isso, né! Que faça cada um, sua avaliação e descubra em que estação estás. Cuidado, porque o trem da vida não apita na curva, não para nos portos... mas pode te arrebatar em alguma estação, quando desavisadamente, sem ter em mãos a passagem, ele nos leva. Dizem que, a passagem para o trem é o amor no coração. E eu creio nisso, porque o amor é o sentimento mais bonito e mais forte que pode haver entre as pessoas.

     Mas, por que esse tema? Me perguntará o amado leitor. E mesmo antes que eu lhes responda, ele emenda outra pergunta: É o vírus, o Covid-19 que está te assustando e levando a tal reflexão? De certa forma, sim, porque não consigo estar alheio à realidade que se nos apresenta. Porém, foi olhando a galeria de fotos em meu celular, que pensei: Outono em Cachoeira Alegre. É bem verdade que algumas fotos se contrastarão. O jardim de Dona Zuleica, por exemplo, é uma delas. Você o verá florido, já que as fotos foram feitas na primavera. Mas há fotos que são verdadeiramente outonais: uma casa solitária, uma pequena e silenciosa cachoeira, uma estrada solitária, bancos vazios, um tal Fernando introspectivo, o mar, uma praia, uma piscina com sol preguiçoso...

     Depende do ângulo em que se observa. Depende do ponto de vista. A maré alta por exemplo, é uma coisa boa. Traz o mar aos nossos pés. É mais alegre que a vazante. Mostra a natureza irrequieta das águas grandes. Em geral, gostamos da maré alta – a praia não gosta. Quando a água sobe a praia some. Quando a água refluiu a areia aparece, e sua qualidade, clara ou cinzenta, se revela. Pensamos logo: Essas duas situações se excluem. Pensamos também: é uma questão de ponto de vista. Se é a areia quem fala, a maré baixa é a verdade da praia. Se são as águas, a maré cheia é a verdade do mar. Porque é da verdade que se trata aqui.

       Para finalizar, porque já me avisaram de que o almoço será servido, nesse sábado sem sol, sem chuva, sem tom, sem som... nesse sábado em que permanece a ameaça do corona-vírus, que deixa o planeta de cabeça pra baixo, onde as pessoas mal se falam, quando os abraços são virtuais... Hoje, a se acreditar nos jornais, nas redes e nos ressentimentos, o contato, as conversas sorridentes acabaram. Mas eu me lembro do tempo em que falar e calar eram um modo da alegria amorosa. E não estou tão velho que minha memória se perca na névoa de um tempo que não retornará. Retornará, sim. Está escondido, porque também o tempo se retrai. E se mostra. Retornará o tempo dos encontros, o tempo de conversar. “Quando o inverno chegar, eu quero estar junto a ti, pode o outono voltar, eu quero estar junto a ti...” (Tim Maia). Afinal, “Outono é sempre igual, as folhas caem no quintal. Só não cai o meu amor. Pois não tem jeito, é imortal”. (Sandy & Júnior).  “... mas ainda nela eu penso, com muito carinho, as folhas vão caindo e eu choro baixinho, mas fica a esperança de que ela vai voltar: as folhas quando caem, nascem outra no lugar”. Roberto Carlos Braga.

Fernando M. Ribeiro

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Siga
Please reload

Procurar por tags