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September 4, 2019

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DIVAGAÇÕES DE UM SOLITÁRIO EM UMA NOITE FRIA DE OUTONO

 

       Nenhum povo brasileiro é mais cercado de mitos que o mineiro. Talvez por viver trancado entre montanhas, tenha criado ele mesmo seu mundo mágico, que o resto do Brasil olha, finge que não liga, mas respeita e até teme. Tal como se fossem deuses, uma raça à parte, enigmática e auto suficiente em seu universo privado. A imagem ilusória, que criara alguns fotógrafos, juntando jeca, noiva, cão, galinha e trem, sintetiza, simboliza, mas não explica. Para entender o que é ser mineiro, carece ter nascido aqui.

        E um escritor que aqui nasceu tenta dizer como é esse milagre da geografia e da etnia: a mineiridade. Esse trecho de um artigo escrito por Roberto Drummond, na década de 70, na extinta revista Manchete, me veio à mente, quando circulava por Cachoeira Alegre. É verdade que o tempo passou, que a informática com seus mecanismos, nos aproximou, que encurtaram as distâncias  e, que o quadro não é mais esse descrito acima.  Contudo a matéria é muito boa e prometo que, em outra ocasião a publicarei aqui, na íntegra, para nossos leitores.

       Para o momento, quero dizer que minha Cachoeira, esse pontinho minúsculo na geografia de Minas tem também seus enigmas, seus encantos, suas curiosidades, seus personagens, seu folclore, sua história. E se não as tivesse, não seria um pedacinho de Minas. Em algum momento disse que minha terra seria o calcanhar de Minas, ou seria ao invés de ponto, uma vírgula) Sei não!  O que sei é que é minha terra, que tem muito mais que palmeira, que sua majestade, o sabiá canta no meu quintal, à margem do Córrego Rico, que - para minha alegria – voltou a fluir com as águas das fartas chuvas desse ano. O ribeirão ganhou vida nova e, embora não chova já a muitos dias, ele perdeu o mau cheiro e dá gosto ouvir o sussurrar de suas águas.

      Então, estou eu aqui, depois de um dia de trabalho, cuidando do jardim, da grama do campinho, dos antúrios em seus vasos e, de contemplar os vários matizes das flores poucas, nesse outono frio, em seu bailado ao sabor do vento. Aqui estou. E trago para vós, o panorama de nossa terra nessa quinta-feira, às 23:10 horas. A capital da alegria tem o tempo fechado, céu escuro, sem estrelas, com os termômetros registrando uma temperatura de 19 graus, mas ainda vejo algumas pessoas nas ruas.

       Estive à pouco no Parque do Flamengo, mais precisamente no P. A. M. Posto de Atendimento Médico, onde meu pai foi recebido com atenção pelo enfermeiro sr. Jorge e gentilmente atendido pela doutora ... que o examinou e trouxe-lhe alívio para os seus males de estômago. Seu plantão encerraria às 23:00 horas, creio tenha sido o meu pai, seu último paciente da noite. Fiz algumas fotos, - você verá nessa matéria – que retratam o Parque de Exposições e rua J. J. Paula Alves, que estão desertos e adormecidos. Antes porém, de guardar o carro, fotografei minha rua (Mário Ribeiro) e a Praça Maria Archetti, observe que ainda há gente na rua, apesar de uma quinta-feira fria, com os ponteiros do meu relógio já se aproximando da meia noite.

       Com essa temperatura baixa e esse frio gostoso, dá vontade de correr para a caminha. Sei que um vinho é boa companhia, embora seja amante da cerveja, vez ou outra costumo flertar com uma taça de vinho. Só que muitas vezes pinto um quadro com os pinceis da saudade... saudade de amores que se foram. Não, não posso dar espaço para essa dor, vou ficar mesmo comigo, tentar driblar sentimentos que tentam subir as escadas para invadir minha casa interior e roubar meu aparente sossego. Da parede da memória algumas lembranças devem ser resgatadas para proporcionar-me uma reflexão que é sempre oportuno antes de se colocar a cabeça no travesseiro.

       Boa noite para mim mesmo, boa noite solidão, boa noite Cachoeira Alegre, terra querida, que antes de silenciosamente adormecer, me diz bem baixinho: Chore, que eu escuto o seu pranto!

Fernando M. Ribeiro

 

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